Mãe , Hoje escrevo estas palavras porque sei que seu coração ainda vive preso àquele último dia. Sei que você revive em pensamento cada detalhe, cada ligação, cada lágrima derramada naquele hospital. Sei que existe uma pergunta que nunca saiu da sua alma:
“Será que meu filho sofreu?”
Mãe, escute com calma o que vou lhe dizer.
Eu não estava sozinho.
Nos últimos momentos da minha vida na Terra, quando minhas forças já estavam se apagando e meu corpo não conseguia mais reagir, eu senti medo. Senti um vazio enorme dentro de mim. Quis lutar mais um pouco. Quis permanecer ao lado de vocês. Mas então algo aconteceu.
Uma paz começou a envolver meu coração.
Era como se mãos invisíveis segurassem minha alma cansada. Aos poucos a dor foi diminuindo. O desespero foi silenciando. E mesmo sem entender completamente o que estava acontecendo, senti que alguém cuidava de mim.
Mãe, Deus nunca abandona Seus filhos.
Quando meus olhos se fecharam pela última vez, não encontrei escuridão. Não encontrei castigo. Não encontrei solidão. Encontrei acolhimento.
Existiam espíritos bondosos ao meu redor.
Alguns deles eu jamais tinha visto na Terra. Outros pareciam familiares, como se já me conhecessem há muito tempo. Eles me ampararam como uma criança ferida sendo acolhida após uma longa caminhada.
No começo eu ainda tentava voltar.
Queria acordar.
Queria chamar você.
Queria ouvir sua voz mais uma vez.
Mas aos poucos fui entendendo que minha jornada material havia terminado e que uma nova etapa estava começando.
Mãe, eu vi seu sofrimento.
Vi você segurando minhas roupas.
Vi suas madrugadas em silêncio.
Vi suas lágrimas escondidas para não preocupar a família.
E por muito tempo tentei me aproximar para transmitir paz ao seu coração. Muitas vezes fui eu quem inspirou aquelas lembranças felizes que surgiam de repente em sua mente. Em vários sonhos, fui eu tentando abraçar sua alma enquanto você dormia.
A saudade entre nós nunca deixou de existir.
Mas aqui aprendemos algo muito importante:
O amor continua vivo.
A morte não destrói os laços criados pelo coração. Ela apenas separa temporariamente aqueles que ainda estão na Terra daqueles que retornaram ao plano espiritual.
Hoje estou sendo cuidado.
Existe aprendizado deste lado da vida.
Existem lugares de muita paz. Existem espíritos dedicados ao auxílio daqueles que chegam fragilizados pelas dores humanas. Existem jardins maravilhosos, músicas suaves e uma luz que o mundo material ainda não consegue compreender.
Nem tudo é perfeito imediatamente.
Também existem espíritos sofrendo, presos às próprias revoltas e dores. Mas graças à misericórdia divina, recebi ajuda logo nos primeiros momentos da minha chegada.
Por isso lhe peço:
Pare de imaginar meu último instante como sofrimento eterno.
Não foi assim.
A dor do corpo ficou na Terra.
A alma continuou viva.
Hoje consigo compreender coisas que antes eu não entendia. Muitas experiências da vida terrena fazem parte do crescimento espiritual. Nenhuma lágrima foi inútil. Nenhuma luta aconteceu sem propósito.
Mãe, não carregue culpa.
Você fez tudo o que podia.
Seu amor me acompanhou até o último segundo da minha vida física. Mesmo quando eu já não conseguia falar direito, minha alma sentia sua presença perto de mim.
Agora preciso que volte a viver.
Não transforme sua existência em espera.
Não abandone seus sonhos.
Não deixe a tristeza apagar sua fé.
Eu preciso ver você seguindo em frente para que meu coração permaneça em paz daqui também.
Quando sentir saudade, faça uma oração.
As orações chegam até nós como luz.
Muitas vezes me aproximo quando você conversa com Deus em silêncio. Em vários momentos sou eu tentando transmitir calma ao seu coração cansado.
Ainda vamos nos reencontrar.
Esse tempo de separação é apenas uma pequena pausa diante da eternidade.
O amor continua nos unindo.
E continuará para sempre.
Com eterno carinho,
Gabriel Fernandes de Souza
Espírito comunicante
Psicografado por: Antônio José
Centro Espírita Amor e Caridade
7 de maio de 2026
